
O Prêmio Nobel foi concebido no fim do século XIX pelo químico, inventor e empreendedor sueco Alfred Nobel (1833-1896). Apesar de se considerar um pacifista, ele foi o criador da dinamite – invenção que o deixou milionário. Em seu testamento, determinou que parte de sua fortuna deveria ser destinada a agraciar aqueles que “durante o ano anterior à premiação tenham conferido o maior benefício à humanidade” em cinco categorias: Medicina ou Fisiologia, Química, Física, Literatura e Paz. A láurea de Ciências Econômicas só seria criada muito tempo depois, em 1968, pelo Sveriges Riksbank, o banco central da Suécia, em memória de Alfred Nobel.
A escolha dos laureados é longa e leva mais de um ano. Em setembro, milhares de pessoas, entre cientistas, professores universitários, ex-laureados e parlamentares, são convidados a sugerir nomes para a edição do prêmio do ano seguinte – não é permitido votar em si próprio. A indicação deve ser feita até 31 de janeiro do ano seguinte.
Um comitê para avaliar as nomeações de cada uma das seis categorias do prêmio é estruturado. Entre fevereiro e setembro, os integrantes desses comitês reúnem-se quantas vezes forem necessárias, consultam especialistas e preparam um relatório com suas indicações, que serão analisadas pelas instituições que decidem os nomes vencedores.
A Real Academia de Ciências da Suécia é a responsável por apontar os ganhadores dos prêmios de Física, Química e Ciências Econômicas, enquanto o Instituto Karolinska – uma renomada universidade de medicina situada nos arredores de Estocolmo, capital da Suécia –, indica o vencedor de Medicina. A láurea de Literatura é escolhida pela Academia Sueca e a da Paz fica a critério de um comitê formado por cinco pessoas eleitas pelo Parlamento da Noruega.
Os vencedores das seis categorias são anunciados publicamente no início de outubro e a premiação ocorre em 10 de dezembro, data do aniversário de morte de Alfred Nobel. Os ganhadores recebem uma medalha de ouro ostentando a efígie do idealizador do prêmio, um diploma e 12 milhões de coroas suecas (quantia hoje equivalente a R$ 6,3 milhões) – caso uma categoria tenha mais de um vencedor, o valor é distribuído entre eles.
Um pouco de história

O primeiro Prêmio Nobel foi conferido em 1901, portanto, há 125 anos. Desde então, a distinção foi entregue 634 vezes e agraciou 1.029 pessoas ou organizações – cada categoria pode ter até três vencedores numa mesma edição. Até hoje, nenhum brasileiro recebeu o reconhecimento. O físico César Lattes foi indicado oito vezes ao prêmio, entre 1949 e 1975, mas nunca foi escolhido vencedor.
Uma particularidade do Nobel é que ele só pode ser conferido a pessoas vivas. Outra é que todo o processo de nomeação dos candidatos e de definição dos vencedores deve ser mantido em sigilo por 50 anos. A página do prêmio na internet permite consultar todos os nomes indicados até 1975.
Apesar de ser um dos mais prestigiados prêmios internacionais, o Nobel é alvo de críticas por causa da baixa diversidade geográfica, racial e de gênero de seus premiados – somente 68 mulheres ganharam o prêmio. A pessoa mais jovem a receber o prêmio foi a ativista paquistanesa Malala Yousafzai. Em 2014, quando tinha 17 anos, ganhou a láurea da Paz por sua luta em defesa dos direitos humanos em seu país natal. Já o mais velho foi o químico John Goodenough (1922-2023), em 2019, pelo desenvolvimento das baterias de íons de lítio. Na ocasião, ele tinha 97 anos.


