Cinco sinais de que um artigo científico pode não ter resultados confiáveis

Análise de papers retratados por má conduta aponta padrões de linguagem anômalos

Pesquisadores da Suécia analisaram a linguagem utilizada em artigos científicos que tiveram a sua publicação invalidada devido à descoberta de algum tipo de má conduta na pesquisa e encontraram alguns padrões retóricos anômalos que também sinalizavam falta de confiabilidade. O estudo, publicado na revista Accountability in Research, encontrou cinco ‘sinais de alerta’ comuns nos textos de artigos retratados.

Um deles é a presença de distorções em citações a outros artigos, dando a impressão de que elas respaldam dados ou conclusões do estudo – em casos extremos, foram detectadas até mesmo referências bibliográficas inventadas.

O segundo é a ausência, na descrição da metodologia adotada, de aspectos cruciais do processo de pesquisa, impedindo que se avalie como os resultados foram alcançados.

O terceiro é uma espécie de falta de alinhamento nas diferentes partes do texto, com introduções, resultados e conclusões apontando em direções diferentes.

O quarto é a expressão de exageros retóricos: as conclusões são apresentadas em linguagem excessivamente confiante e com pouca margem para incertezas.

E o quinto é o uso de terminologia imprecisa, com conceitos-chave e termos técnicos sendo usados de forma incorreta, o que muitas vezes servia para “mascarar uma argumentação frágil ou a ausência de evidências”, segundo o estudo.

“O fato de esses padrões se repetirem em vários artigos retratados sugere que má conduta em pesquisa e erros graves são frequentemente acompanhados por estratégias retóricas semelhantes”, disse a autora principal do estudo, a linguista Baraa Khuder, pesquisadora da Universidade Tecnológica Chalmers, na Suécia, de acordo com o serviço de notícias Eurekalert.

Segundo ela, ao reconhecer esses sinais de alerta, revisores podem identificar problemas potenciais em um estudo antes que ele seja publicado. A análise dos artigos retratados foi feita por vinte estudantes de doutorado que participaram de um curso de escrita científica coordenado por Khuder.

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