Episódio 11, de 28.08.2026

Uso de câmeras corporais pela polícia tem efeito inesperado em registros de violência doméstica. Ouça também: novas hortaliças, glueball, trilhas de pegadas, câncer pediátrico

Neste episódio, Fabrício Marques conversa com a socióloga Bianca Lombarde, estudante de doutorado e integrante do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (USP). Ela fala sobre os resultados de um estudo que analisou um efeito inesperado do uso de câmeras corporais pela Polícia Militar de São Paulo: o aumento no registro de boletins de ocorrência de violência doméstica contra mulheres. A explicação para esse aumento é que policiais usando câmeras seguem com mais rigor os protocolos e conduzem com mais frequência até delegacias da mulher os envolvidos em violência doméstica.

Hora da Ciência também traz uma entrevista com o agrônomo Nuno Madeira, pesquisador da Empresa Hortaliças, em Brasília, sobre o lançamento no mercado de cultivares de duas hortaliças – bertalha e caruru – que pertencem ao grupo de Plantas Alimentícias Não Convencionais, as chamadas Panc. As Panc são vegetais em geral produzidos em pequena escala, mas que têm boa qualidade nutricional e podem ajudar a diversificar a dieta das pessoas.

O convidado especial do programa é Igor Zolnerkevic, jornalista científico e físico. Ele relata que pesquisadores de um experimento internacional de física – o Beijing Spectrometer III – detectaram pela primeira vez uma partícula que possui as propriedades previstas para ser uma glueball. Até então hipotética, a glueball seria composta por um aglomerado de glúons, os responsáveis por manter os quarks unidos dentro de cada próton e nêutron. O anúncio da provável detecção foi feito no Brasil, no início do mês, durante a Conferência Internacional de Física de Altas Energias, realizada em Natal.

O programa mostra, ainda, que pegadas de 130 milhões de anos encontradas em uma pedreira de arenito no extremo sul de Santa Catarina trazem novas pistas sobre a evolução de mamíferos. O tamanho das pegadas, de 10 centímetros de comprimento por 12 de largura, sugere que um ancestral de mamífero significativamente maior do que as espécies da época conhecidas até então andava pela paisagem desértica daquela região nos tempos dos dinossauros. A paleontóloga Aline Ghilardi, professora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), explica a importância da descoberta.

Fechando o programa, a médica Bárbara Sarni Sanches, estudante de doutorado da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), conta como disparidades sociais e regionais no Brasil influenciam as taxas de mortalidade de um tipo comum de câncer pediátrico: a leucemia linfoide infantil. A letalidade aumentou no Brasil entre 2000 e 2021 na população com até 19 anos, mas principalmente em regiões com maior vulnerabilidade social, como o Norte e o Nordeste, enquanto as regiões Sul e Sudeste tiveram taxas estáveis ou em declínio.

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