
Após os incêndios florestais no Pantanal nos últimos anos, vários grupos de animais anteciparam os horários em que costumavam sair de seus abrigos para se alimentar. Pesquisadores da Universidade Católica Dom Bosco, de Campo Grande (MS), do Instituto Homem Pantaneiro, de Corumbá (MS), e da organização não governamental Panthera, de Nova York, observaram esse fenômeno depois de analisarem 1.596 registros fotográficos feitos antes e 2.228 depois do incêndio natural que durante meses consumiu 95% da vegetação nativa da Serra do Amolar, uma área com 870 metros de altitude e 80 km de extensão a 180 km de Corumbá (MS). A região é ocupada normalmente por florestas úmidas e secas, Cerrado e campos.
Diante da vegetação queimada, porém, o caititu (Dicotyles tajacu) saía quatro horas mais cedo do que antes. A capivara (Hydrochoerus hydrochaeris), quase três horas mais cedo. A cutia (Dasyprocta azarae) e o veado-mateiro (Mazama americana), 1 hora e 30 minutos mais cedo, e o veado-catingueiro (Subulo gouazoubira), 1 hora mais cedo. Já a anta (Tapirus terrestris) não mudou seus horários, de acordo com esse estudo.
Ainda que encontrar alimento tenha se tornado mais difícil, as chances de sobrevivência também aumentaram. A onça-parda (Puma concolor) manteve um horário flexível de caça, mas o tempo de sobreposição com a cutia-de-azara e a capivara diminuiu. O veado-catingueiro foi duplamente beneficiado, com a redução do tempo de sobreposição tanto com a onça-parda quanto com a onça-pintada (Panthera onca). A antecipação de horários permite também escapar do calor que se torna mais intenso nas paisagens mais abertas, corroídas pelo fogo (The Journal of Wildlife Management, 2 de junho de 2026).


