Brasil inaugura laboratório de testes que tornará mais segura exploração no pré-sal

Estrutura permite simular o ambiente do fundo do mar e fazer ensaios de alta pressão

Navio-plataforma da Petrobras em operação em campo do pré-sal na Bacia de Campos
Navio-plataforma da Petrobras em operação em campo do pré-sal na Bacia de Campos //Petrobras

Uma moderna estrutura voltada à realização de testes de equipamentos usados em poços de petróleo e gás em águas ultraprofundas, acima de 1.500 metros (m), como os existentes na área do pré-sal brasileiro, começou a funcionar no país. Em junho deste ano, foi inaugurado uma nova área de ensaios no Laboratório de Tecnologia Submarina (LTS) do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ).

Batizada de Núcleo de Tecnologia de Poços (NTP), a nova estrutura compreende dois grandes sistemas de testes, uma câmara termo-hiperbárica e um aparato termomecânico, conforme informou o engenheiro naval Ilson Pasqualino, do Programa de Engenharia Oceânica da Coppe e coordenador do projeto, no programa Hora da Ciência, o podcast da revista Poraquê.

“Trata-se de uma estrutura inédita no mundo. Os dois principais aparelhos do núcleo são capazes de simular pressões altíssimas, de até 30 mil libras por polegada quadrada [PSI], e temperaturas de até 250 graus Celsius”, diz Pasqualino. “Até onde sei, não há outro laboratório no mundo que reúna aparelhos com essas características para grandes dimensões.”

Equipamentos de fundo de poço usados na exploração petrolífera em águas profundas (entre 400 m e 1.500 m) e ultraprofundas trabalham em condições extremas de pressão, temperatura, tração e compressão. Daí a importância dos testes que avaliam sua integridade física, resistência e vida útil.

Com o núcleo recém-inaugurado, os pesquisadores do Programa de Engenharia Oceânica poderão desenvolver ensaios de caracterização e qualificação de materiais e componentes, testes de alta pressão e simulações completas do ambiente do pré-sal. Para garantir a segurança da operação, o NTP foi construído em bunkers de até 10 m de profundidade. Os sistemas instalados podem operar com gás nitrogênio pressurizado até 20 mil PSI.

De acordo com Pasqualino, o laboratório está apto a avaliar os  chamados equipamentos de completação inteligente (válvulas, sensores, barreiras mecânicas, entre outros), que são instalados no interior ou próximo à superfície de um poço perfurado.

A câmara termo-hiperbárica do complexo é capaz de produzir pressões duas vezes maiores do que as registradas nas Fossas Marianas, no oceano Pacífico, o ponto mais profundo conhecido do planeta, com aproximadamente 11 mil m de profundidade. Os poços do pré-sal situam-se em profundidades de até 7 mil m.

“O NTP vai permitir explorarmos o pré-sal de forma mais segura”, conta o pesquisador da UFRJ. “Essa moderna estrutura amplia o potencial de desenvolvimento de tecnologias por parte da universidade e, ao mesmo tempo, nos permite oferecer serviços para os grandes fabricantes de equipamentos para poços de petróleo e gás, como as multinacionais Schlumberger, Halliburton e Baker.”

Referência mundial na produção de petróleo em águas ultraprofundas, o Brasil descobriu as reservas na camada do pré-sal em 2006. Hoje, 20 anos depois, a região responde por cerca de 82% da produção nacional de óleo e gás.

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