Episódio 17, de 09.10.26

Super El Niño aumenta o risco de nova epidemia de dengue no Brasil. Infectologista Julio Croda propõe ampliar vacinação e controle do mosquito. Ouça também: planos de governo, ecologia histórica, arquiteto da Amazônia e malária

Neste episódio, Hora da Ciência conversa com o infectologista Julio Croda (1’59”), professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz. Ele escreveu um artigo científico em que analisa as chances de o super El Niño esperado para os próximos meses gerar uma nova epidemia de dengue no país. O trabalho lembra que a frequência maior de chuvas e de temperaturas elevadas causada pelo fenômeno climático costuma servir de combustível para a proliferação do mosquito Aedes aegypti. E, o mais preocupante, mostra que está circulando no país atualmente o sorotipo 3 do vírus da dengue, para o qual a maioria dos brasileiros ainda não tem imunidade.

O convidado especial do programa é Rafael Revadam (11’42’), jornalista da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Ele foi um dos responsáveis pela análise dos planos de governo para ciência e tecnologia, promovida pelo Observatório das Eleições 2026 da SBPC, e conta quais são as diferenças entre as propostas dos dois presidenciáveis que disputam o segundo turno, o presidente Lula, do PT, e senador Flávio Bolsonaro, do PL.

Hora da Ciência também traz uma entrevista com a bióloga Mariana Franco Cassino (23’00”), especialista em ecologia histórica da Amazônia, que faz pós-doutorado na Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Autora de uma pesquisa de doutorado que venceu o Prêmio Capes de Tese deste ano, na categoria biodiversidade, ela defende ideias como a de que as plantas da Amazônia deveriam ser estudadas como se fossem peças arqueológicas, porque são vestígios vivos de como a ocupação humana no passado ajudou a moldar a floresta.

Marcos Cereto (36’27”), professor da Ufam e coordenador do Núcleo de Arquitetura Moderna da Amazônia, relata o esforço para preservar e digitalizar a obra de Severiano Porto (1930-2020), conhecido como o Arquiteto da Amazônia, cujas obras marcam a paisagem urbana de Manaus, com desenhos inovadores e técnicas sustentáveis, muitas delas inspiradas em construções de ribeirinhos. A iniciativa tem duas vertentes. Uma é disponibilizar o acervo de desenhos e documentos de Porto. A segunda é reconstituir tridimensionalmente algumas de suas edificações que não existem mais.

Fechando o programa, Rafael Guido (48’31”), professor do Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo (IFSC-USP), expõe os resultados de um estudo que analisou o potencial de 18 compostos no tratamento da malária. Em testes de laboratório e com animais, uma das moléculas conseguiu eliminar o parasita do sangue infectado. Uma outra foi capaz de bloquear a produção de energia do parasita, limitando sua sobrevivência.

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