
Há motivos de sobra para o burburinho, aqui e ao redor do planeta, em torno dos chamados minerais críticos e estratégicos, categoria de substâncias em que se encaixam o lítio, o silício, as terras-raras, o nióbio, o titânio, a grafita, o cobre, entre outros.
Para começar, eles são essenciais para viabilizar a tão almejada transição energética, ou seja, a mudança gradual de sistemas de produção e consumo de energia baseados em combustíveis fósseis para fontes limpas e renováveis. Painéis solares, turbinas eólicas e baterias de carros elétricos empregam como matéria-prima alguns desses elementos.
Em um momento de tantos conflitos armados pelo mundo e aumento da militarização, minerais críticos são insumos disputados pelas indústrias bélica e de defesa. Cobalto, lítio e grafita elevam o desempenho e a durabilidade de mísseis guiados, radares de alta precisão e equipamentos de comunicação. Ímãs permanentes de neodímio e disprósio, dois elementos químicos do grupo das terras-raras, são usados em sistemas de controle de jatos militares, como o caça norte-americano de última geração F-35.
Tem mais: uma grande variedade de produtos e componentes eletrônicos que fazem parte do nosso dia a dia, como smartphones, computadores, microprocessadores, baterias recarregáveis e fibras ópticas, leva em sua composição um ou mais desses minerais.
A disputa geopolítica por eles se acirrou ainda mais em razão das restrições que vêm sendo impostas pela China à exportação de minerais críticos, principalmente terras-raras, causando forte impacto no suprimento das cadeias globais de defesa, eletrônicos e veículos elétricos – o país asiático é um dos maiores produtores desses insumos.
A boa notícia é que o Brasil pode surfar nessa onda. O país detém a segunda maior reserva de terras-raras do planeta, só atrás dos chineses, e grandes depósitos de grafita, nióbio, níquel, alumínio, lítio e cobre. O desafio por aqui é estabelecer ou adensar a cadeia produtiva desses minerais, ainda incipiente. Esse é um dos objetivos da recém-aprovada Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos.
Antes de finalizar, vale dar uma definição: minerais críticos são aqueles considerados essenciais para setores vitais da economia e cujo fornecimento corre risco de escassez ou interrupção, enquanto os estratégicos estão diretamente ligados aos interesses de Estado, à soberania e à segurança nacional. A listagem desses minerais, segundo a Agência Nacional de Mineração (ANM), pode variar entre um país e outro.


